• A Ciência do Goleiro: a dúvida na hora pênalti

    by  • 13/12/2008 • Ciência, Comportamento, Comunicação, Cultura, Economia, Educação, Esportes, Futebol, Jornalismo, Opinião, Sociedade • 2 Comments

    Pode parecer que não há qualquer relação entre o movimento do goleiro e a bola quando um jogador vai bater um pênalti e, também, as ações de CEO´s e gestores nos momentos de crise. Segundo o estudo Action Bias Among Elite Soccer Goalkeepers: The Case of Penalty Kicks (algo como “Ação e tendência entre os goleiros da elite do futebol: O caso de pênaltis”), de um grupo de pesquisadores israeleneses, a melhor chance de um goleiro defender um pênalti é ficar parado no centro da meta, que saiu no Journal of Economic Psychology.

    lev_yashin

    Lev Yashin (1929-1990), o aranha negra, considerado o maior goleiro de todos os tempos.

    De acordo com as pesquisas, após analisarem 286 cobranças de pênalti, em 94% das vezes,os goleiros pularam para um lado e a bola passou – assim como nos pênaltis em que os narradores, floreando ao berros a magnificência da cobrança do pênalti, diziam: “bola para um lado, goleiro para o outro”. Na verdade, não foi o cobrador quem escolheu o canto, mas sim o goleiro.

    Eles mergulham para um lado ou para o outro para que pareça que fazem alguma coisa, que não estão impassíveis diante daquele problema. Lembrei-me, agora, de três passagens sobre um goleiro e o pênalti. Uma letra de música “Estava mais angustiado do que um goleiro na hora do gol”, na voz do Belchior; o filme do Rainer Werner Fassbinder “O medo do goleiro diante do pênalti” (1971),  e um conto do Sergio Sant’anna, em que ele narra a aproximação do atacante e a ação vista a partir das perspectiva do goleiro. É angustiante, pois a mesma frase, ou melhor, o momento, se repete inúmeras vezes durante a descrição da cena, criando o clímax lentamente.

    Portanto, ao escolher um canto para pular, o goleiro está informando para sua torcida, companheiros, dirigentes e para si mesmo que tentou fazer alguma coisa. Entretanto, ainda segundo o estudo, esse tipo de comportamento não é usual entre nós, humanos, que, diante de um grande problema preferimos a inação (ou inércia), visto que um mau resultado a partir de uma escolha errada pode ser pior do que o próprio problema. Somos tentados a isso a todo momento. Pare e pense a respeito. O que todos nós queremos, na verdade, é que o problema desapareça como que por encanto. Só que no futebol e na economia a coisa é diferente. Louco mesmo é o goleiro de handball, que não pula para os lados e fica de frente para a bolada agitando braços e pernas.

    Este tipo de comportamento pode ser observado a partir de uma grande pressão sofrida para que algo seja feito. Hoje, então, é muito fácil perceber isto e os pesquisadores exemplificam utilizando a atual crise econômico-financeira:

    A tentação pode surgir de forma decisiva – particularmente – quando se é fortemente controlado e é esmagadora. Então, durante os períodos de turbulência econômica, CEO’s poderiam ser tentados a mudar a sua estratégia corporativa, ou corretores de investimentos ficam mais aptos a trapacear. “Eu conheço um cujos clientes telefonam dizendo: Faça alguma coisa! Faça alguma coisa! Eu não posso sentar e pensar nas minhas ações perdendo valor!”

    A tomada de decisão, mesmo que errada, o que acontece na maioria das vezes, vide o caso do comandante do Titanic, é o mesmo que acontece com líderes políticos que enfrentam uma enorme pressão para consertar a economia, não importando se sabem ou não o que estão fazendo.

     

    Practicing Goalie © Floresco Productions/Corbis

    As posições do goleiro

    Os autores concluem que, “talvez a nossa atual crise econômica foi impulsionada justamente por essa dinâmica: um sistema financeiro global que saltou para o lado oposto e a bola passou”.

    * Este artigo foi criado a partir da leitura do texto Goalkeeper Science, de Clive Thompson para o New York Times.

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    2 Responses to A Ciência do Goleiro: a dúvida na hora pênalti

    1. Satanás
      17/12/2008 at 13:50

      Estou rindo às tampas desse comportamento, afinal confiança, ou a falta de, é tudo!

    2. 17/12/2008 at 17:13

      hum
      interesting!!

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