• Uma possível cura para o fim do amor

    by  • 10/01/2009 • amor, Artigos, Casamento, Ciência, Citações, Comportamento, Comunicação, Cotidiano, Cultura, MPB, mulher, Música, Opinião, Sexo, Sociedade, Vida, Vídeo • 0 Comments

    Em breve seus problemas sentimentais acabarão. Os cientistas estão quase chegando à descoberta de uma droga que fará você novamente ouvir sininhos e ficar com cara de bobo ao estar ao lado daquela estranha que, não se sabe como, convive contigo há mais de 10 anos. Sim, pois, o casamento depois de dez anos vira, na maioria dos casos, um grande salão com um tapete pouquinha coisa menor, para onde são jogados para baixo todos os problemas que surgiram e assim vai até o dia em que a justiça ou a morte os separe. De repente, você se dá conta que começa a cantar Último Desejo durante o banho.

    Nosso amor que eu não esqueço, e que teve o seu começo
    Numa festa de São João
    Morre hoje sem foguete, sem retrato e sem bilhete,
    sem luar, sem violão
    Perto de você me calo, tudo penso e nada falo
    Tenho medo de chorar
    Nunca mais quero o seu beijo mas meu último desejo
    você não pode negar
    Se alguma pessoa amiga pedir que você lhe diga
    Se você me quer ou não, diga que você me adora
    Que você lamenta e chora a nossa separação
    Às pessoas que eu detesto, diga sempre que eu não presto
    Que meu lar é o botequim, que eu arruinei sua vida
    Que eu não mereço a comida que você pagou pra mim
    (Último Desejo, Noel Rosa),

    Já foram identificados dois hormônios, a ocitocina e a vasopressina, responsáveis diretos pelo que chamamos de amor. É mais uma sensação de dependência que criamos em relação a alguém que, misteriosamente, faz ativar estes compostos químicos que nos dão a sensação de prazer e tranquilidade (droga, estou brigando com o Word que cisma em colocar trema nesta palavra).

    Que o amor é um processo químico, a ciência já não tem mais dúvidas. A questão é: por que essa coisa acontece e une duas pessoas que, em tese, foram criadas de formas diferentes e tem visões de mundo, até se conhecerem, também um tanto diferentes e juram que vão viver juntos para o resto da vida? Aí reside o mistério, pois este sentimento tem prazo de validade. Um dia acaba e daí em diante vai-se empurrando com a barriga ou vai cada um para um lado.

    Então, após tomar o remédio que os cientistas estão quase descobrindo, você sai todo serelepe cantando Aonde Você Mora, do Nando Reis, na gravação do Cidade Negra.

    Amor igual ao teu
    Eu nunca mais terei
    Amor que eu nunca vi igual
    Que eu nunca mais verei
    Amor que não se pede
    Amor que não se mede
    Que não se repete
    Amor
    Você vai chegar em casa
    Eu quero abrir
    A porta
    Aonde você mora
    Aonde você foi morar
    Não quero estar de fora
    Aonde está você
    Eu tive que ir embora
    Mesmo querendo ficar
    Agora eu sei
    Eu sei que eu fui embora
    Agora eu quero você
    De volta pra mim

    O neurocientista Larry Young, declarou numa entrevista à revista Nature que

    Os cientistas estão perto de reduzir o estado mental do amor para uma cadeia de eventos bioquímicos, abrindo caminho a novos tratamentos para o desgaste dos sentimentos amorosos. Experiências já estão em andamento oferecendo hormônios para casais beligerantes visando uma melhora, auxiliando na terapia conjugal convencional.

    Também já é possível prever o desemprego de curandeiros que prometem trazer de volta a pessoa amada em apenas 24 horas. Está duvidando? Caminhe pelas ruas do Rio de Janeiro e verá um folheto com essas informações colado em vários postes. Além dos panfleteiros que ficam nas ruas entregando os mesmos folhetinhos.

    Outra questão que precisa ser muito bem administrada se relaciona ao fato de as pessoas, um casal, por exemplo, que está em crise e resolve tomar medicamentos para reavivar o amor. É preciso que esses remédios tenham bússolas para sempre indicar o parceiro ou parceira de empreitada. Caso contrário, se não tiver uma bússola, o amor pode ser direcionado, até com mais intensidade, para outra pessoa que não tem nada a ver com a história.

    * Artigo escrito a partir da livre tradução feita por mim, do artigo Love potions could soon help soothe the pains of romance, de Ian Sample para o The Guardian, em 07/01/2009.

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    0 Responses to Uma possível cura para o fim do amor

    1. 10/01/2009 at 18:37

      Vou linkar esse post no meu outro blog, ‘secreto’, espero q nao se importe, por favor Jorge!!!!!! É q tenho sofrido um bocado por amor nos últimos 10 dias, e esse post aqui, me arrancou um sorrisão!!! Sou sua fã não é à toa. ;) Bjux!

    2. 11/01/2009 at 17:06

      já assistiu ao filme “Brilho Eterno de uma mente sem lembranças”? Recomendo!

      Beijo

    3. 11/01/2009 at 17:11

      Sim, eu vi este filme. Achei interessante. Boa lembrança, Lia. Obrigado.

      bjs

    4. 11/01/2009 at 18:30

      Será que isso vai dar certo? Já acho o amor uma tremenda confusão sendo “natural”, imagino vendido em comprimidinhos na farmácia rsrsrs
      Boa semana, Jorge!

    5. 11/01/2009 at 19:50

      Natália, se vai dar certo eu não sei. Mas dizem que esse treco é o tal do fogo que arde sem se ver. Logo… :)

      Boa semana pra você também.

    6. 12/01/2009 at 11:20

      O Amor agora é, literalmente, um remédio.
      Quem sabe não resolve mesmo.

      Beijos

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