Escrever livro dá dinheiro mesmo
by Jorge Alberto • 17/03/2009 • Autor, Aventura, Citações, Comportamento, Comunicação, Crônicas, Cultura, Economia, Educação, Escritores, Fernando Pessoa, Guimarães-Rosa, Jornalismo, Leitor, Literatura, Livros, Luis Cardoso, Machado de Assis, Mercado Editorial, mulher, Opinião, Romance • 0 Comments
Há algum tempo, eu escrevi um artigo sobre um escritor que reclamava por não ganhar dinheiro suficiente com os seus livros e, por isso, fez um relato de um programa do governo Roosevelt, associado ao New Deal, que era uma espécie de PAC para o mercado editorial norte-americano durante os anos de recessão seguintes à crise de 1929.
Agora, lendo a seção de livros do New York Times, vejo a seguinte manchete: Audrey Niffenegger Receives $5 Million Advance for Second Novel (algo como Audrey Niffenegger recebe 5 milhões de dólares em adiantamento por seu segundo romance). Convenhamos que não é uma grana para ser desprezada, mesmo que não seja paga em Euros e, certamente, resolveria a vida de muitos pretendentes a escritor. Se a quantia revela o tamanho do talento, essa escritora deve ser talentosa até dizer chega.
Então, surge um questionamento: estando numa das piores crises econômica que já aconteceram desde a invenção do Capitalismo, os livros são produtos que dão lucro? Acredito que sim. Por pior que seja a situação da leitura e divulgação de conhecimento através dos livros, este ainda é um lazer barato; mesmo que concorra com DVD, internet, iPod e que tais.
Lembro que durante o regime militar, os livros não deixaram de vender mesmo havendo censura. Durante a época da inflação galopante, o livro continuou vendendo e se adaptando ao momento. Há várias formas de fazer o livro ter um preço acessível ao público em geral, sendo que uma delas é usar papel de qualidade pouquinha coisa inferior ao que se está acostumado e também diminuir as dimensões do mesmo, isto é, dos tradicionais formatos 14 centímetros de largura x 21 centímetros de comprimento ou 16×23 para, por exemplo, 12×18 (livro de bolso).
Então, a escritora, segundo a reportagem, após seis anos de lançamento de seu livro de estréia entregou os originais de seu novo romance, Her Fearful Symmetry, ao seu editor e de volta recebeu o polpudo cheque. Dizem que o leilão pela compra dos direitos foi bastante acirrado. O livro é um thriller de mistério contando a história de dois gêmeos que recebem como herança um apartamento nas proximidades de um cemitério em Londres.
A autora é artista plástica e professora da Columbia College Chicago. É preciso fazer uma ressalva: o mundo dos livros não é de todo desconhecido por ela, que está baseada no Center for Book and Paper Arts da mesma instituição. Tiremos como exemplo, não sei se de talento para escrever ou para o marketing pessoal, o mago. Foi letrista do Raul Seixas e, de repente, começou a escrever livros místicos, sendo o primeiro deles sobre vampirismo, que misteriosamente desapareceu das livrarias tão logo o autor começou a ficar famoso por falar de suas viagens místicas por caminhos mais iluminados.
O que tem intrigado a crítica literária lá dos EUA é o fato de investirem tanto em um segundo livro devido o primeiro livro, o de estréia, ter vendido feito pão quente. Na reportagem, é apresentada a história de Charles Frazier, autor de Could Mountain, que deu origem a um filme do mesmo nome, dirigido por Anthony Mingela e o roteiro foi escrito pelo próprio autor do livro. É relatado que ele, autor, recebeu 8 milhões de dólares de adiantamento pelo segundo livro e as vendas nem chegaram perto do que esperavam.
Vale a pena ser escritor ou não?
* Este artigo foi criado a partir da leitura da matéria Audrey Niffenegger Receives $5 Million Advance for Second Novel, de Motoko Rich, para o New York Times Books, de 10/03/2009.

Na verdade, o livro “Manual Prático do Vampirismo” do Paulo Coelho sumiu simplesmente porque ele mandou recolher e não deseja mais relançá-lo.
Ele considera o livro ruim.
Penso que publicar um livro mesmo não fazendo bem pro bolso, faz bem pro ego! rs
Agora sobre o Paulo Coelho e sua dita “Obra” tenho uma visão polêmicana qual não gostaria de comentar em público para não sofrer represálias e ameaças de morte! rs
bjsss
O exercício da escrita e a publicação de livros é algo comum e acessível nos EUA, tanto que pode ser apenas um hobby.
Há investimento e eles ganham relativamente bem, pois faz parte da cultura deles ler tanto para se instruir, como para passar o tempo com qualidade.
No Brasil isso é completamente diferente. Escritor como profissão, só autor de best-seller.