Sobrevivência do e-book depende do preço
Quando se discute a sobrevivência do livro físico, especialistas começam a questionar a sobrevivência do livro eletrônico, que pode ter sucesso em nichos de mercado, como o das publicações acadêmicas.
Jason Epstein, editor e autor, diz que os e-books são "o evento mais emocionante dos últimos tempos, na medida em que os livros estão em destaque há 500 anos".
Umberto Eco
"Eletrônicos duram 10 anos, livros duram 5 séculos"
Duas frases que podem parecer conflitantes, mas que dizem o mesmo: o livro físico é imortal.
A Connoisseur’s Corner by Benjamin Walter Spiers
IMAGEM:© Christie’s Images/CORBIS
O livro comercial
O futuro do e-book depende do preço que será cobrado por cada download de livro. Atualmente, foi fixado em US$9,99, quase que um preço único, em muito devido a estratégia da Amazon ao lançar o Kindle. Claramente o objetivo é oferecer o conteúdo barato para se vender o aparelho por um preço muito maior. E é neste momento que os editores e editoras, principalmente dos EUA, se perguntam se haverá um momento em que os preços deverão ser compatíveis com os custos, que certamente são menores do que os relativos a produção de um livro físico, mas que não poderá ser muito superior aos quase 10 dólares por download. Ao que parece, a conta pode não fechar no futuro e a quebradeira, ou implementação maciça deste meio eletrônico pode ficar como apenas um nicho de mercado como os audiolivros, por exemplo.
Recentemente, ao ser lançado o iPad, as editoras tentaram compatibilizar os preços alterando para valores entre US$12,00 e US$14,00. Um aumento significativo, não? Cerca de 40% de diferença. Então, imaginemos uma situação: Você tem seu leitor eletrônico de livros e os compra por US$14,00, mas na livraria você pode encontrar dezenas de títulos em promoção e até mesmo o livro que você gostaria de comprar por US$12,00 e sem o custo do aparelho. O que você faria?
IMAGEM © UWE ANSPACH/epa/Corbis
Certamente que o livro eletrônico veio para ficar. Entretanto, o que se questiona é o quão útil será para o leitor comum, aquele que não precisa carregar ou guardar grandes quantidades de papel impresso. Imaginemos uma outra situação. Duvidamos que 99% das pessoas façam backup de seus arquivos pessoais no computador e quando o HD dá seu último suspiro e tudo está perdido. Dá para acreditar que a maioria das pessoas fará cópias de seus livros eletrônicos para o caso de uma engenhoca dessas quebrar?
Em recente depoimento de Pedro Herz, para a Folha de S. Paulo, ele disse ter percebido uma coisa interessante. As poucas pessoas que viu lendo num Kindle seguravam-no com as duas mãos. E se fosse num vagão de trem ou metrô quando a maioria de nós ao ler algum livro, jornal ou revista, temos uma das mãos livre para segurar no balaústre e não sair rolando devido a inércia? É tudo muito novo e adaptações surgirão com certeza.
O livro acadêmico
Em compensação, segundo o site Booksellers.com, as vendas de livros acadêmicos em forma digital cresceram 90% nos dois últimos anos. Este, ao que tudo indica será o principal nicho de mercado para o livro eletrônico. Em alguns casos, acredite, o crescimento foi de 1000%, segundo a Association of Learned Professional and Scholarly Publishers (ALPSP), a única instituição a promover o livro acadêmico sem fins lucrativos. Cerca de 2/3 das editoras acadêmicas estão criando livros eletrônicos em vez de lançarem em formato normal.
Por isso que a editora da Unesp (Universidade Estadual Paulista), uma das mais conceituadas editoras acadêmicas, já começou a oferecer livros para download gratuito, através do portal Cultura Acadêmica Editora, ligado ao Prop (Programa de Publicações Digitais da Pro-reitoria de pós-graduação). Inicialmente são 44 títulos que foram digitalizados e estão disponíveis em formato .pdf.
Leia os artigos:
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Para maiores esclarecimentos leia o artigo (em inglês), No Ink, No Paper: What’s The Value Of An E-Book?, de Lynn Neary , para o NPR.










































This post has 2 comments
março 14th, 2010
Jorge,
já escrevi sobre kindle no meu blog, acho que esta questão do custo está mal dimensionada. Discuto um pouco isso lá no meu texto.
Tem que pensar na enorme economia que o livro digital proporciona: não ocupa prateleira de livraria, não gasta combustível para ser transportado, não paga 50% de comissão para distribuidora e livraria.
Para o autor ganhar os mesmos R$ 4,00 dum livro de R$ 40,00 – no kindle (35% de comissão) precisa vender o livro por R$ 11,43.
Só que o kindle não surge como formato dominante no Brasil, porque aqui a Amazon não domina o mercado como nos EUA. Aqui vai ser tudo bem diferente.
março 14th, 2010
Certamente, André, muita água ainda vai passar debaixo dessa ponte. É tudo uma questão de tempo.
Abraços.