Sobrevivência do e-book depende do preço
by Jorge Alberto • 14/03/2010 • Biblioteca, Comportamento, Comunicação, Economia, Editora, Escritor, Leitor, Literatura, Livraria, Livros, Mercado Editorial, Opinião, Software • 2 Comments
Quando se discute a sobrevivência do livro físico, especialistas começam a questionar a sobrevivência do livro eletrônico, que pode ter sucesso em nichos de mercado, como o das publicações acadêmicas.
Jason Epstein, editor e autor, diz que os e-books são "o evento mais emocionante dos últimos tempos, na medida em que os livros estão em destaque há 500 anos".
Umberto Eco
"Eletrônicos duram 10 anos, livros duram 5 séculos"
Duas frases que podem parecer conflitantes, mas que dizem o mesmo: o livro físico é imortal.
A Connoisseur’s Corner by Benjamin Walter Spiers
IMAGEM:© Christie’s Images/CORBIS
O livro comercial
O futuro do e-book depende do preço que será cobrado por cada download de livro. Atualmente, foi fixado em US$9,99, quase que um preço único, em muito devido a estratégia da Amazon ao lançar o Kindle. Claramente o objetivo é oferecer o conteúdo barato para se vender o aparelho por um preço muito maior. E é neste momento que os editores e editoras, principalmente dos EUA, se perguntam se haverá um momento em que os preços deverão ser compatíveis com os custos, que certamente são menores do que os relativos a produção de um livro físico, mas que não poderá ser muito superior aos quase 10 dólares por download. Ao que parece, a conta pode não fechar no futuro e a quebradeira, ou implementação maciça deste meio eletrônico pode ficar como apenas um nicho de mercado como os audiolivros, por exemplo.
Recentemente, ao ser lançado o iPad, as editoras tentaram compatibilizar os preços alterando para valores entre US$12,00 e US$14,00. Um aumento significativo, não? Cerca de 40% de diferença. Então, imaginemos uma situação: Você tem seu leitor eletrônico de livros e os compra por US$14,00, mas na livraria você pode encontrar dezenas de títulos em promoção e até mesmo o livro que você gostaria de comprar por US$12,00 e sem o custo do aparelho. O que você faria?
IMAGEM © UWE ANSPACH/epa/Corbis
Certamente que o livro eletrônico veio para ficar. Entretanto, o que se questiona é o quão útil será para o leitor comum, aquele que não precisa carregar ou guardar grandes quantidades de papel impresso. Imaginemos uma outra situação. Duvidamos que 99% das pessoas façam backup de seus arquivos pessoais no computador e quando o HD dá seu último suspiro e tudo está perdido. Dá para acreditar que a maioria das pessoas fará cópias de seus livros eletrônicos para o caso de uma engenhoca dessas quebrar?
Em recente depoimento de Pedro Herz, para a Folha de S. Paulo, ele disse ter percebido uma coisa interessante. As poucas pessoas que viu lendo num Kindle seguravam-no com as duas mãos. E se fosse num vagão de trem ou metrô quando a maioria de nós ao ler algum livro, jornal ou revista, temos uma das mãos livre para segurar no balaústre e não sair rolando devido a inércia? É tudo muito novo e adaptações surgirão com certeza.
O livro acadêmico
Em compensação, segundo o site Booksellers.com, as vendas de livros acadêmicos em forma digital cresceram 90% nos dois últimos anos. Este, ao que tudo indica será o principal nicho de mercado para o livro eletrônico. Em alguns casos, acredite, o crescimento foi de 1000%, segundo a Association of Learned Professional and Scholarly Publishers (ALPSP), a única instituição a promover o livro acadêmico sem fins lucrativos. Cerca de 2/3 das editoras acadêmicas estão criando livros eletrônicos em vez de lançarem em formato normal.
Por isso que a editora da Unesp (Universidade Estadual Paulista), uma das mais conceituadas editoras acadêmicas, já começou a oferecer livros para download gratuito, através do portal Cultura Acadêmica Editora, ligado ao Prop (Programa de Publicações Digitais da Pro-reitoria de pós-graduação). Inicialmente são 44 títulos que foram digitalizados e estão disponíveis em formato .pdf.
Leia os artigos:
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Para maiores esclarecimentos leia o artigo (em inglês), No Ink, No Paper: What’s The Value Of An E-Book?, de Lynn Neary , para o NPR.

Jorge,
já escrevi sobre kindle no meu blog, acho que esta questão do custo está mal dimensionada. Discuto um pouco isso lá no meu texto.
Tem que pensar na enorme economia que o livro digital proporciona: não ocupa prateleira de livraria, não gasta combustível para ser transportado, não paga 50% de comissão para distribuidora e livraria.
Para o autor ganhar os mesmos R$ 4,00 dum livro de R$ 40,00 – no kindle (35% de comissão) precisa vender o livro por R$ 11,43.
Só que o kindle não surge como formato dominante no Brasil, porque aqui a Amazon não domina o mercado como nos EUA. Aqui vai ser tudo bem diferente.
Certamente, André, muita água ainda vai passar debaixo dessa ponte. É tudo uma questão de tempo.
Abraços.