• Poetas também erram: Lamartine Babo

    by  • 27/02/2011 • Biografia, MPB, Música • 1 Comment

    lamartine-babo-charge-nassaraE foi com essa frase: “Nós, os poetas, erramos” que Lamartine Babo (ou Lalá), um dos maiores compositores da música popular brasileira, tentou descrever sua frustração por saber que a troca de correspondências com Nair, que supostamente estava apaixonada por ele, que era muito feio e sem sorte no amor, se tratava de uma criança, a sobrinha de um dentista morador da cidade de Dores da Boa Esperança (MG). O dentista era o verdadeiro missivista que fez uma grande brincadeira com o compositor.

    O nome da música é Serra da Boa Esperança.

    Ouça a gravação de Silvio Caldas:

    Samba-enredo e irreverência

    Em 1981, a Imperatriz Leopoldinense, foi campeã do carnaval com o enredo “O Teu Cabelo Não Nega”, em homenagem a Lamartine Babo (1904-1963). Ouça o samba-enredo campeão:

    Lamartine era tão irreverente que, em 1960, quando o América levantou seu último campeonato carioca, ele se vestiu de Diabo, o símbolo do clube da Tijuca, e saiu pelas ruas do Rio de Janeiro numa carreata.

    Parece que a sua história é triste, não? Pelo contrário. Ele foi um dos mais irreverentes e satíricos compositores. Autor de clássicos como “O teu cabelo não nega” e a sensacional “Canção para inglês ver”, que é foneticamente correta, mas hilariantemente debochada; debochando da mania, acredite, até hoje, de nós macaquearmos os gringos. Assista a esse jazz-blues-fox-trotte-samba-canção:

    Ai loviu forguétiscleine meini itapirú
    forguetifaive anda u dai xeu no bonde Silva Manuel
    ai loviu tchu revi istiven via catchumbai
    independence la do Paraguai estudibeiquer Jaceguai
    ou ies mai gless salada de alface flay tox mail til
    oh istende oiu ou ié forguet not mi
    ai Jesus abacaxi uisqui of xuxu
    malacacheta independancin dei
    istrit flexi me estrepei
    delícias de inhame reclaime de andaime
    mon Paris jet’aime sorvete de creme
    ou ies mai veri gudi naiti
    dubli faiti isso parece uma canção do oeste
    coisas horríveis lá do faroeste do Tomas Veiga com manteiga
    mai sanduíche eu nunca fui Paulo Iscrish
    meu nome é Laski Enen Claudi Jony Felipe Canal
    laiti endepauer companhia limitada
    aiu Zé Boi Iscoti avequi Boi Zebu
    Lawrence Olivier com feijão tchu tchu
    trem de cozinha não é trem azul

     

    O futebol

    lala-charge

    As torcidas dos grandes clubes de futebol do Rio de Janeiro cantam os hinos criados por ele, em 1949. Dizem que o do América, seu clube de coração é o mais bonito. Até pode ser, mas nada se compara a você, como no caso deste vosso escriba, estar nas arquibancadas do Maracanã ou do Engenhão e perceber seus olhos marejarem ao entoar… “BOTAFOGO! BOTAFOGO! Campeão desde 1910”. Como a democracia é parte da vida, abro espaço para que as outras torcidas se reconheçam ao visitarem o blog NA CAL, em que estão as versões em mp3 dos hinos.

    Você pode ouvir um podcast do programa Olhar Brasileiro, da Rádio USPFM, sobre o Lalá.

    1. Primeira parte (WMP)
    2. Segunda parte (WMP)
    3. Terceira parte (WMP)
    4. Todas as composições de Lamartine Babo (Letras)

    Poesia em forma de música

    A sua verve também o fazia criar composições como “No Rancho Fundo” com outros grandes da MPB, como Ary Barroso. A música foi regravada e “assassinada” por aquela dupla de breganejo. Assista a uma versão muito bacana no Youtube com César Camargo Mariano e Romero Lubambo.

    No rancho fundo, bem pra lá do fim do mundo
    Onde a dor e a saudade contam coisas da cidade
    No rancho fundo, de olhar triste e profundo
    Um moreno conta as mágoas tendo os olhos rasos d’água
    Pobre moreno, que de tarde no sereno
    Espera a lua no terreiro tendo o cigarro por companheiro
    Sem um aceno ele pega da viola
    E a lua por esmola vem pro quintal deste moreno
    No rancho fundo, bem pra lá do fim do mundo
    Nunca mais houve alegria nem de noite nem de dia
    Os arvoredos já não contam mais segredos
    E a última palmeira já morreu na cordilheira
    Os passarinhos internaram-se nos ninhos
    De tão triste esta tristeza enche de trevas a natureza
    Tudo por que? Só por causa do moreno
    Que era grande, hoje é pequeno para uma casa de sapê

    Mais alguns sucessos do Lalá

    "O Teu Cabelo Não Nega", "Linda Morena", "Cantores do Rádio" (com João de Barro/ A. Ribeiro), "Marcha do Grande Galo", "A-E-I-O-U" (com Noel Rosa), "Grau Dez" (com Ary Barroso), "Uma Andorinha Não Faz Verão" (com Braguinha), "Canção pra Inglês Ver" (regravada pelas Frenéticas), "Chegou a Hora da Fogueira", "Hino do Carnaval Brasileiro", "História do Brasil", "Isto É Lá com Santo Antônio", "Noites de Junho". Sua produção é vastíssima no gênero em que foi mestre, mas Lalá (como era conhecido) também fez obras-primas no samba, como "No Rancho Fundo" (com Ary Barroso), "Lua Cor de Prata", "Voltei a Cantar", "A Tua Vida É um Segredo", "Serra da Boa Esperança", "Só Dando com uma Pedra Nela", e até valsas, como "Eu Sonhei que Tu Estavas Tão Linda" (com Francisco Mattoso), regravada pelo roqueiro Erasmo Carlos.
    (In: http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/lamartine-babo.asp)

    E, para terminar, mais um verso de Serra da Boa Esperança:

    Parto levando saudades, saudades deixando…

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    One Response to Poetas também erram: Lamartine Babo

    1. 05/03/2011 at 22:01

      A poesia é a manifestação que tem como alma o sentimento, a mais profunda interpretação que o poeta pode ter do mundo que o cerca, passado, presente, futuro… das belas artes o ápice. Convido a ler uma poesia de minha autoria, escrita em 05/03/2011 e publicada em meu blog: http://valdecyalves.blogspot.com/2011/03/canto-vida-peregrina.html

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