O nosso 11 de setembro foi um 7 de abril
by Jorge Alberto • 08/04/2011 • Comportamento, Crônicas • 3 Comments
Um pedaço do mundo e a crença em que o Ser Humano é uma “obra de arte” como disse Shakespeare, em Hamlet, se foi ontem, dia 7 de abril de 2011. Um rapaz com tendências suicidas justificou seu suicídio matando aquilo que mais importante há na vida de cada um de nós: o sonho. E o pior: o sonho alheio.
Todas aquelas crianças tinham um sonho básico: ser alguém na vida. O estudo e a escola são os meios para alcançar degraus mais altos na escala social, mesmo que alguns não conseguissem atingir seus sonhos no futuro, foi-lhes tirado o futuro. Isso dói. Dói em todos nós que não precisamos ser pais, mas basta que sejamos humanos e racionais para entender que não podemos tirar, nem de nós próprios, a perspectiva de sonhar com o futuro.
Hoje, qual a garantia que temos sobre a segurança da escola como uma quase extensão do lar? Os pais e os avós, a sociedade e o governo; enfim, a civilização sabiam que uma criança estando na escola estaria segura também.
Não sei se as ciências da mente humana consigam uma explicação racional para o ato irracional de alguém que projeta uma assassinato em massa.
Como pai e professor chorei ao ver as cenas e ao primeiro contato com a notícia, que me foi dada num telefonema, senti meu corpo estremecer. Como poderiam assassinar crianças dentro de uma escola? O Rio de Janeiro tem um índice de violência que seria além do normal? Sim, tem. Governantes e secretários de segurança garantem que a diminuirão. Essa violência desmedida, descabida, incompreensível, irracional, imbecil… não veio de onde todos poderiam imaginar. Veio de um rapaz, um homem, que em sua muda sandice assassinou o mundo dentro de si antes de assassinar o mundo de todas aquelas crianças – meninas, em sua maioria, o que demonstra haver um problema psicológico –, dos pais, dos parentes, dos vizinhos, dos cariocas e dos brasileiros. Para todos nós, atos como o de ontem só aconteciam no Hemisfério Norte e, sabe-se lá, qual ou quais componentes sócio-culturais levavam a isso.
Alguns falam em buling e outros falam em problemas psíquicos. Na verdade, ninguém sabe o que aconteceu no interior daquela mente doente para alvejar determinadamente alvos escolhidos, não a esmo, mas perfeitamente direcionados. Os depoimentos das crianças que sobreviveram e das testemunhas são estarrecedores.
Nunca mais o Brasil será o mesmo depois do dia 7 de abril de 2011.

Inimaginável uma coisa dessa por aqui… Que mente doentia esta, q a meu ver, passou 1/3 da sua vida planejando e se preparando para o massacre?
Nesta gestão o uniforme voltou a ser azul e branco, mas desde ontem, ao ver uma criança uniformizada,meus olhos enxergam algo de vermelho.
Mari, a sua observação sobre o uniforme me fez lembrar o comentário que fiz hoje com um amigo ao ver crianças uniformizadas indo para a escola: De hoje em diante, todas as vezes que virmos crianças uniformizadas vamos lembrar do que aconteceu. Triste. Muito triste mesmo.
Eu não sou mãe, sou professora no Ensino Médio na capital paulista e adoro meus alunos. Eu chorei o dia inteiro, eu passei um dia terrível, pois eu me vi na posição dos professores, cuja função era proteger os alunos e ao mesmo tempo impedir aquele indivíduo de entrar…
Eu acho que vigilância é essencial. Talvez e digo um talvez bem grande, o assassino tivesse tido uma ajuda, uma atenção, no momento certo por parte de seus responsáveis, quem sabe isso teria sido evitado. É um círculo vicioso de falta de atenção, bullying, descaso, são tantos problemas que podem ter levado ao quadro deste rapaz, que a gente não sabe o que dizer, pois mesmo com todo o crime do RJ, nem traficante faria o que ele fez.
O simbolismo da escola, que é muito forte pra qualquer um de nós, foi destruido para toda a comunidade escolar, do país todo.