• Nada de vampiros e lobisomens: O medo está na porta ao lado ou dentro de casa

    by  • 09/10/2011 • Cinema, Livros • 2 Comments

    Livro conta sobre as renovações do filme de terror

    Como diretores talentosos e excêntricos levaram o cinema de horror moderno a uma idade do ouro a partir da década de 1970 e o renovaram com a inserção de atitudes políticas e fortes doses de realismo. Foi isso que fizeram Wes Craven, Roman Polanski, John Carpenter e Brian De Palma. Diretores de sucessos como O bebê de Rosemary, O massacre da serra elétrica e Carrie, a estranha. Assim se sabe por que O exorcista se tornou o filme de maior bilheteria em sua época e ainda assusta muita gente.

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    O livro

    Que os filmes de terror ou horror – e porque não dizer, também de suspense – assustam mais do que os de antigamente é fato comprovado. O que não sabemos é como e por que há uma diferença entre os filmes feitos até o início da década de 1960 e os que vieram nas décadas posteriores. É justamente este o foco do crítico de cinema do New York Times, Jason Zinoman, no livro Shock Value: How a Few Eccentric Outsiders Gave Us Nightmares, Conquered Hollywood, and Invented Modern Horror (Penguin Press HC), que ao pé da letra significa Assustador: Como alguns poucos aventureiros nos causaram pesadelos, conquistaram Hollywood e inventaram o moderno filme de horror. O título é longo; porém bastante explicativo.

    Este tipo de filme gerou uma indústria de bilhões de dólares e hoje faz parte do que podemos chamar de inconsciente coletivo de todos que vão ao cinema. O autor faz seu relato baseado em entrevistas com centenas de artistas, produtores, diretores de filmes de terror.

    Filmes que fizeram a transição

    Ao mesmo tempo em que grandes diretores da atualidade como Francis Ford Coppola, Martin Scorsese e Steven Spielberg davam seus primeiros passos na chamada New Hollywood, um mundo à parte se desenvolvia, o cinema de terror moderno.

    Por volta do início dos anos 1960, os clássicos filmes de terror estrelados por Boris Karloff e Vincent Price haviam perdido o poder de assustar as massas. Os tempos eram outros, esta é a verdade. Os filmes eram bem distantes da realidade das pessoas e foi essa a sacada que alguns diretores tiveram, como foi o caso de Roman Polanski, que trouxe o terror para a porta ao lado, a da casa do vizinho e mais assustador ainda, não apresentava um monstro para nos assustar. O monstro, no caso um filho do Kpta, o bebê que Rosemary esperava, deveria ser criado na mente dos espectadores. Tirou, portanto, até mesmo um caráter cômico que os antigos filmes de terror poderiam ter. Os monstros ou seres do espaço eram elementos cenográficas toscos na maioria das vezes e no final, mesmo que não quiséssemos acabávamos saindo do cinema aliviados sabendo que aquele monstro era de mentirinha, a Transilvânia ficava muito longe e o final seria feliz.

    Uma das mudanças principais foi a transição do filme de monstro clássico, ao estilo “bem contra o mal” , para uma história mais confusa e moralmente ambígua, diz Zinoman.

    Outro filme, também levado as telas em 1968, citado como marco do moderno cinema de terror pelo autor é A noite dos mortos vivos (Night of the Living Dead), de George Romero. A novidade foram as constantes aparições de zumbis e sangue em profusão. Nada era sugerido. No trailer do filme é possível ver os mortos vivos se alimentando de seres humanos, seu repasto preferido.

    httpv://www.youtube.com/watch?v=5gUKvmOEGCU

    Além disso, segundo Zinoman, este filme trouxe uma novidade bastante interessante: o protagonista era negro, o que para a época era um tanto inusitado. Por isso ressalta que este tipo de filme também tem um caráter sócio-político. A metáfora do negro lutando contra o mal representado por brancos que se alimentam de carne humana. Isso remonta aos tempos da escravidão, passando pela libertação e afirmação do negro na sociedade norte-americana.

    Alguns fatos

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    O que você encontra no livro são relatos e fatos concernentes a algumas verdades tidas como absolutas neste tipo de filme e são apresentadas de forma bem interessante como, por exemplo:

    • Hitchcock não é o “poderoso chefão” do filme de terror. Ele era visto de forma ambígua por esses novos diretores que, à época, procuravam se afastar de qualquer tipo de similaridade com a filmografia hitchcokiana; se bem que adorassem a cena do chuveiro em Psicose.
    •  
    • A linguagem figurativa. O autor analisa e estuda as origens da linguagem figurativa que todos esperam, agora, nesses filmes. O serial killer mascarado e as figuras de aliens como as de HR Giger, artista e escultor suíço cujas pintura inspiraram a criação do personagem Alien. O cara é tão bom que criou capas para álbuns famosos de artistas e grupos como Emerson, Lake & Palmer. Confira as capas.

    Universo paralelo do terror

     

    Aqui vale abrir pelo menos um parágrafo para uma produtora de filmes de terror, a inglesa Hammer, cujos principais sucessos envolviam vampiros. lobisomens, múmias e monstros (também toscos), em seu auge na década de 1960. Seus principais atores foram Christopher Lee, considerado o melhor Drácula da era pós-Bela Lugosi e Peter Cushing, que invariavelmente interpretava o Dr. Van Helsing. Minhas madrugadas insones invariavelmente tinham nas produções da Hammer um motivo de divertimento e um tantinho de nada de medo, que é para não perder o espírito da coisa… BUUUUUUUUUUUUUUU!

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    Este artigo foi criado a partir da leitura, tradução e adaptação de Modern Horror Defined By Edgy Realism Of The 1970s, pelo portal NPR e o material de divulgação da editora do livro Shock Value: How a Few Eccentric Outsiders Gave Us Nightmares, Conquered Hollywood, and Invented Modern Horror, de Jason Zinoman.

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    2 Responses to Nada de vampiros e lobisomens: O medo está na porta ao lado ou dentro de casa

    1. Telma Carvalho
      09/10/2011 at 23:43

      Os temas vampirescos agora estão em alta, mas os clássicos são “hour concour”. É claro que temos que renovar, conhecer coisas novas, novas obras,diretores novos e antigos que mudaram um pouco sua visão de cinema, idéias contemporâneas sobre o tema pra descobrirmos o que melhor se encaixa em nossa preferência, mas eu, particularmente, tenho uma queda (quase uma catarata) pelo bom e velhos clássico cinematográfico.

      Muito bom o artigo eu diria um informativocompleto…rs

      bjos

    2. 10/10/2011 at 14:44

      Muito bom saber que você gostou do artigo, Telma! Eu, por meu lado, não sou chegado a filme de terror. :)

      bjs

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