• Celebridades escrevem cartas para o passado

    by  • 15/10/2011 • Biografia, Livros • 0 Comments

    O que você escreveria hoje para si próprio quando tinha 16 anos? Não use drogas! Não odeie suas coxas! Faça listas de coisas a seguir…

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    (Imagem @ The Guardian)

    Essa é a ideia do livro Dear me (algo como Prezado Eu), de Joseph Galliano, já em um segundo volume, no qual várias celebridades fazem essa espécie de autobiografia epistolar dando conselhos, tentando consertar erros que surgirão nos anos posteriores ou conversando consigo próprio como faz Stephen King que, dizendo estar na ridícula idade de 62 anos, escreve para si mesmo aos 16:

    “Estou escrevendo para você em 2010, quando cheguei aos totalmente ridículos 62 anos para te dar um conselho bem simples. Pode acreditar. Tem apenas quatro palavras: Fique longe das drogas”.

    Leia o artigo ao som de um sucesso de Alice Cooper.

    Assim foram escritas as cartas escritas para si mesmos aos 16 anos por 10 celebridades como Stephen King, Gene Hackman, Gillian Anderson, James Belushi, Alice Cooper, John Waters, Sandra Bernhard, Hugh Jackman, Alan Cumming e Kathleen Turner.

    Todas as cartas escritas para o passado tem um tom confessional e diria que estão próximas de uma sessão de análise, em que os missivistas expõem seus medos, erros, angústias, alegrias e tudo aquilo que eles deveriam ou não fazer. Mesmo assim, de uma forma ou de outra, tornaram-se pessoas famosas e com relativo sucesso em suas carreiras.

    Imagine-se, hoje, já tendo ultrapassado os 40 anos, o que confere uma certa maturidade, escrever uma carta para si próprio aos 16 anos. Que pensamentos teria? Que conselhos daria? Que sonhos diria para você seguir sem medo? Que medos você teria e não teria?

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    A atriz Gillian Anderson, a Scully de Arquivo X, preocupada com a maneira que se via e aquilo que pensavam a seu respeito, diz para si mesma deixar de ser obcecada em si própria e não deve passar o tempo todo pensando sobre os outros em vez de quanto você odeia suas coxas, assim o seu nível de contentamento e auto-estima expandirá exponencialmente.

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    James Belushi, ator e irmão do também ator John Belushi, morto por overdose, inicia a carta para si mesmo da seguinte forma: “Caro Jimmy de 16 anos de idade, eu sei que neste exato momento você está na prisão e aí ficará pelos próximos três dias, por que o Juiz Nolan estava cansado de te ver no tribunal”. Percebe-se que a adolescência do futuro ator não foi um mar de tranquilidades, tanto que ele, no último parágrafo da missiva dá um conselho de pai para filho: “Confie em mim, mesmo neste momento em que você odeia a si mesmo e querer desaparecer, você será capaz de explorar esses sentimentos em sua carreira em um futuro não tão distante”.

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    Alice Cooper, aquele que cantou I never cry, diz para si mesmo, quando ainda era Vincent Furnier, um rapaz magricela vestido com paletó e gravata ao estilo Men in black numa antiga foto bem diferente da imagem que vendeu para o mundo como ídolo do Rock andrógino, as seguintes palavras: “Piriguetes são excitantes por cerca de cinco minutos. Mantenha seus olhos abertos para uma menina recatada, religiosa e de boa aparência. Assim você terá o melhor dos dois mundos”. Ao que parece, ele, assim como todo bom roqueiro, bebeu na fonte do Blues e diz, ainda na sua carta, que os Yardbirds são o máximo.

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    Se você gosta de filmes de 3ª categoria certamente já ouviu o nome do diretor John Waters e descobridor da, digamos talentosa(?), travesti Divine, sua atriz preferida e segundo a revista People, a drag queen do século 20, escreve em poucas linhas, o que mais parece um bilhete para si mesmo quando ainda não usava aquele bigodinho que é parte indissociável de sua figura performática, diria, as seguintes palavras: “Sinta raiva agora, assim do jeito que você é. Pois, quando ficar velho, isso não tem a menor graça. Ficar de saco cheio aos 16 é sexy. Porém, aos 64… Gaste seu tempo com qualquer coisa que não lhe pareça demasiado séria”.

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    O que dizer de um adolescente que parece ser todo certinho e que faz listas enumerando qualidades e objetivos. E, talvez por conta disso, no futuro, interpretará o seu papel de maior sucesso como o personagem Wolverine? Pois é. Hugh Jackman, escreve para si mesmo uma espécie de “abre o olho” em relação a uma mulher que seria a “mulher de sua vida”:

    Vida amorosa? (sinal de alerta). Você encontrará uma mulher incrível e escolher casar com ela será a escolha mais fácil de sua vida. Apenas siga o seu instinto. Continue listando as cinco coisas em que você realmente gosta e as cinco coisas em que você é realmente bom. Você verá que elas mudarão, mas um dia elas serão as certas e aí você encontra o seu caminho. Mesmo assim continue a fazer suas listas de cinco itens para ter a certeza que está indo na direção correta.

    Dá para se imaginar escrevendo uma carta para você mesmo(a) aos 16 anos?

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    Este artigo foi criado a partir da leitura, tradução e adaptação da matéria “Dear Me: celebrity letters to their younger selves – interactive”, de Chris Fenn para o jornal The Guardian, em 14/10/2011.

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