• Botafoguense: visite General Severiano

    by  • 17/06/2012 • Botafogo, Futebol • 6 Comments

    bandeira-botafogo

    Como diria o grande botafoguense Luís Mendes: “Meus amigos, desportistas de todo Brasil”, venho com estas palavras afirmar-lhes e confirmar a todos o que é ser botafoguense. Não é fácil como todos sabemos. Já vivemos vários períodos de vacas magérrimas e duas travessias de deserto, pois passar 21 anos sem ganhar nada e também enfrentar a segunda divisão foi mais penoso do que a mais famosa de todas travessias, a de Moisés e seu clã. Porém, em momento algum perdemos a identidade alvinegra impressa na alma e estampada no coração.

    Tudo isso para dizer a vocês sobre a emoção de ter visitado as instalações da ancestral e berço de craques sede de General Severiano juntamente com o meu amigo Francisco Pizotti, botafoguense de 4 costados e patriarca de um clã que já está na terceira geração de alvinegros que, certamente preparou-me uma surpresa ao dizer que iria até Botafogo (o bairro) e não me disse qual seria o motivo. Digo logo que no meio do caminho informou com um sorriso colossal: Vou comprar o título de sócio-torcedor em General Severiano. Não é preciso dizer que fiquei mais feliz que pinto no lixo, quase imaginando o que sente muito marmanjo quando vai para a Disneylândia: Pura alegria de criança posso afirmar. No final do artigo você encontrará informações do Projeto Manequinho, visita guiada a sede.

    Logo de cara aquele bandeirão desfraldado ao vento, vindo do mar através do túnel, fazia a estrela solitária despontar sob um céu muito mais azul do que podemos supor. Logo tirei algumas fotos para registrar. Uma delas na entrada da capelinha e apontando para a foto do Carlito Rocha, talvez maior e mais folclórico de todos os presidentes do Alvinegro. Timidamente entramos na loja e os olhos brilharam. Fomos, então, até o escritório ao lado da varanda para que o Francisco comprasse o título. Eu disse que ficaria do lado de fora tirando umas fotos. Fotografei o Manequinho e o muro defronte a sede com algumas caricaturas de nossa plêiade de craques de todos os tempos. Voltei para o escritório e disse: “Vou na loja”.

    Creiam em minhas palavras: a vontade era de comprar todas as camisas (comprei duas, uma listrada para mim e a outra, branca, para o meu filho). Querendo preparar uma surpresa para o André, meu filho, liguei para ele: Eis o diálogo:

    – Dedé, escolhe um número entre 1 e 11!

    – Oito…

    – Pô, era para escolher o 6, o do Nilton Santos!

    – Ok.

    Logicamente que a minha teve o número 7 estampado às costas. Não que o espírito do Garrincha venha a baixar neste perna de pau que vos escreve, mas que os bons augúrios do cabalístico algarismo sempre cubram de sorte o Glorioso.

    Depois disso, ainda aguardamos um tantinho para fazer uma excursão as dependências da sede. Vou contar para vocês: boa parte da história das glórias do futebol brasileiro estão nas paredes do casarão da AvenidaVenceslau Brás, 72. Por ali passaram várias seleções brasileiras, foram formados inúmeros craques e o chão é quase solo sagrado, pois neles ficaram as marcas do andar torto do Mané Garrincha, o elegante flanar de Didi, o príncipe etíope como o chamava Nélson Rodrigues e todas as páginas escritas pelos pés do Nilton Santos, a enciclopédia do futebol. E por que não dizer, o trotar arisco do Biriba. Tudo bem. Por lá também pisaram os pés descalibrados do Perivaldo, o Peri da Pituba, que não acertava um cruzamento para a área adversária e também os erráticos dribles do Cremilson, um ponta direita dos anos 70/80.

    botafogo-taca-1989Não sei se é preciso dizer que eu e o Francisco, dois pais de família já com várias décadas de botafoguismo puro nas veias nos emocionamos ao entrar na sala de troféus. Parecia loja de doces ou de brinquedos. Fotografei o remo ancestral das vitórias do Botafogo de Regatas. A taça de 1989, a que nos surgiu como o Graal buscado pelos Cavaleiros da Távola Redonda, estava lá toda faceira.

    O passeio se encerrou no campo de treinamento e nós, creiam, ficamos lá um certo tempo aguardando para ver os jogadores como se fôssemos crianças a espera de seus ídolos.

    Todo botafoguense deve visitar General Severiano pelo menos uma vez na vida. É um caminho santo como Santiago de Compostela e andar pela sede como se estivesse orando ao redor da Caaba, em Meca.

    ——————————————————————————————————————————————————————————

    Quer conhecer General Severiano? Saiba os detalhes do Projeto Manequinho!

    O tour acontece de segunda a sexta (exceto quinta-feira), das 9h às 13h e 14h às 18h30

    Percursos e Preços

    TOUR ALVINEGRO
    1 Memorial dos Fundadores, Túnel do Tempo, Complexo Social, Salão Nobre, Sala de Troféus e Loja Oficial.
    Visita, Flyer e Assinatura no Livro de Ouro. R$3,00
    Duração: 30 minutos

    TOUR GLORIOSO
    2 Memorial dos Fundadores, Túnel do Tempo, Complexo Social, CT João Saldanha*, Salão Nobre, Sala de Troféus, Loja Oficial.
    Visita, Flyer e Assinatura no Livro de Ouro. R$5,00
    Duração: 50 minutos

    *Dependendo da Disponibilidade
    ** Sócio Torcedor, Sócio Proprietário e menores de 12 anos não pagam

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    6 Responses to Botafoguense: visite General Severiano

    1. MaRi LiM
      17/06/2012 at 10:37

      Ao ler cada parágrafo,o arrepio crescia até eu pensar: q outro time provocaria isso???? NENHUM!!!! A M E I a leitura arrepiante…

    2. Zatonio Lahud
      17/06/2012 at 11:10

      E hoje, 17 de junho fazem 50 anos que o Brasil conquistou o bicampeonato mundial, com 5 jogadores do Glorioso no time titular: Nilton Santos, Didi, Garrincha e Zagalo. O único clube que tem 5 titulares em um seleção brasileira campeã do mundo. O Vasco tem 8, mas vices na Copa de 1950. Ô sina!
      Saudações alvinegras!

    3. 17/06/2012 at 11:12

      Eu esqueci o Amarildo.

    4. 17/06/2012 at 13:15

      Muito bacana, Mari!

    5. 17/06/2012 at 13:15

      Bem lembrado, Zatonio!

    6. 27/06/2012 at 20:11

      por Leonel de JesusPoeta e jornalistaJá me tinha apercebido disto faz algum tempo, mas tinha guardado para mim.Não que fosse um segredo, mas talvez por falta de contexto ou para não pensarem que estou a querer influenciar. Mas agora que fiz uma viagem a Itália com paragem em Turim e que, curiosamente, a Juventus foi o segundo clube preferido pelos leitores do blog Mundo Botafogo, resolvi partilhar estes meus pensamentos, que parecerão ociosos para alguns, mas interessantes para muitos outros.Quando se fala de Botafogo e Juventus vem logo à cabeça e à conversa dos entendidos aquela final electrizante de 1996 no estádio Riazor na Corunha. Como não lembrar? Golo cá golo lá, os italianos já vencedores, golo cá golo lá, os brasileiros empatam, nas grandes penalidades golo lá golo lá, do Botafogo. Campeão da Tereza Herrera com a particularidade única e tremendamente botafoguense de ter jogado com o uniforme emprestado da simpática equipa da casa, o Deportivo da Corunha. Diz-se que muita gente fez confusão através da televisão com as camisas também alvinegras listradas dos italianos. Quem deveria trocar o uniforme? Não sei, o que sei é que o Botafogo não tinha outro. Talvez tenha dado sorte e era bem preciso, pois a Juve tinha a equipa campeã europeia e nós alguns campeões brasileiros de 1995, e a roupa do Deportivo, mas muita raça.

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